E um sorriso elevou-se á eternidade
Morreu um dos nossos,
morreu um homem bom.
Homem de fé, comprometido com a vida e com os outros, o
Portugal, o nosso “Galinha”, fez acender mais um luzeiro no firmamento daqueles
que foram capazes, na terra, de se elevar à categoria dos que deixam o mundo
mais pobre, mas iluminado pela crença e pela esperança do triunfo final da
bondade e da solidariedade.
Sempre que um dos nossos, um daqueles que
viveu o Colégio de Lamego como sua escola de vida, como casa de princípios e de
valores, fecha os olhos e se despede, em trânsito para a eternidade, é como se
desaparecesse um irmão, alguém que, comungando o mesmo espírito, connosco formou
uma família.
Mais se justifica este tipo de referência quando aquele que,
recentemente, nos deixou, o amigo Portugal, sentia, de uma forma muito especial,
o que representava ter sido, durante sete anos, aluno do Colégio de Lamego, que,
profundamente, amava e vivia no seu dia a dia, tendo-o como memória constante,
como realidade presente e como continuidade futura.
Não é de admirar,
assim, que alguém que tanto acreditava na importância e transcendência do
Colégio, como casa mater, estivesse presente, desde a sua fundação, na afirmação
da ideia subjacente à existência da Associação de Antigos Alunos do Colégio de
Lamego.
Não foi dos que acompanharam essa ideia à distância, antes
respondeu afirmativamente, mandato atrás de mandato, ao repto que lhe era feito
para integrar os seus corpos sociais. Nunca quis, no entanto, que as luzes
incidissem sobre a sua pessoa, procurando ocupar cargos sem visibilidade, mas em
que se pudesse sentir útil. E como foi importante, tantas vezes decisivo,
trazendo a mais valia em que se constituía a sua constante e reconfortante
presença, a sua eficácia e solicitude, a sua discrição, educação fora do vulgar,
humildade e recato.
Olhar para o Portugal era olhar para um rosto
límpido, luminoso no seu permanente e cativante sorriso.
Recebi a notícia
da sua morte, em tempo de veraneio, junto ao mar, o que me fez pensar, esmagado
pela movimentação das ondas, nas vicissitudes da vida, em que a morte é um seu
momento, mas, sobretudo, na força da renovação que os homens bons nos legam com
o exemplo das suas virtudes.
Logo depois, a caminho de Fátima, como todos
os anos acontece em fim de férias, tive sempre o Portugal no meu pensamento,
acreditando como ele na protecção da Virgem, que também no Colégio, a partir da
sua imagem, nos infundia esse sinal de Mãe apaziguadora e doce. Tiveste a sorte,
Portugal, de fechar os olhos num tempo em que a Senhora dos Remédios, por todos
festejada, descia sobre Lamego o seu manto de glória e a luz da sua misericórdia
e bondade. Que te proteja, Portugal, e te sirva de refúgio.
Eu sei,
Portugal, que desceste à terra, sem que levasses a cobertura da bandeira da
nossa Associação, a quem tanto deste e de quem tanto gostavas. Fiquei triste
quando soube do esquecimento, mas reconforto-me com a ideia de que, na tua
bondade simples de irmão, a todos nos desculpas, uma vez mais com um sorriso
discreto. Era importante que a nossa bandeira te acompanhasse, levando nela o
conforto das nossas lágrimas e das nossas preces. Alivia-me a certeza de que tu
próprio te assumiste de tal forma como símbolo da Associação de Antigos Alunos
do Colégio de Lamego que te transformaste, para teu e nosso consolo, na nossa
Bandeira.
Até breve, companheiro. Até à eternidade, irmão.
Lamego,
16 de Setembro de 2012
José Alberto Soares Marques
Presidente da Direcção da AAACL
Fotos: Dia do Antigo Aluno - XXIX Aniversário - 28/05/2011
* Portugal (ao centro)